Personalidades
Argentina Santos
Fadista, Maria Argentina Pinto dos Santos nasceu a 6 de Fevereiro de 1926, em Lisboa. A casa que a viu nascer, no bairro da Mouraria, onde se diz que também nasceu o fado, tem uma lápide com o seu nome inscrito. É uma das mais notáveis cantoras de fado tradicional, destacando-se a sua interpretação do fado menor.
Ao contrário da maioria dos fadistas da sua geração, Argentina Santos começou tarde a cantar.
Foi para a Parreirinha de Alfama trabalhar como cozinheira e o fado surgiu como natural consequência, aos 24 anos. A sua carreira foi de resto intercalada e cheia de percalços. O seu primeiro marido não gostava que ela cantasse. Confinou-se então à cozinha. Quando o marido morreu voltou a cantar e teve um importante impulso na sua carreira. Mas dois anos depois volta a casar e a história repetiu-se. Só após a morte do segundo marido é que voltou a cantar, tornando-se o seu nome conhecido internacionalmente. Actuou em paragens tão distantes quanto Brasil, Venezuela, Grécia, França, Holanda, Reino Unido e Itália.
Desde 1950 que dirige a Parreirinha de Alfama, uma das mais típicas casas de fado de Lisboa, a que se mantém há mais tempo nas mesmas mãos, que foi distinguida, em 2003, com o Prémio Casa de Fado da Casa de Imprensa. Começou por ser uma taberna, frequentada por gente do bairro e marinheiros, e transformou-se num dos mais aprazíveis palcos de fado da capital. Por ali passaram grandes nomes da canção de Lisboa, como Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo, Fernanda Maria, Berta Cardoso, Maria da Fé, Celeste Rodrigues e Júlio Peres. Argentina Santos sempre se dividiu entre os seus dotes musicais e culinários. E ela própria faz questão de ir comprar todas as manhãs o peixe à praça, assegurando-se da qualidade dos pratos que ali são servidos.
Tem um extenso repertório, todo construído para si, à excepção de “Lágrima” (do repertório de Amália Rodrigues, com música de Carlos Gonçalves), que é uma das suas mais apreciadas interpretações. Além deste, destacam-se “As Duas Santas” (Augusto Martins/Júlio Proença), “Reza” (Clemente Pereira/Miguel Ramos) e “Passeio Fadista” (Alberto Rodrigues/José António Sabrosa). Da sua discografia, salienta-se a colectânea, em dois CD, Argentina Santos, editada em 2003 pela Movieplay, e o disco Argentina Santos, gravado em 2002 pela Companhia Nacional de Música, onde revisita alguns temas da sua carreira, com o acompanhamento de José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Jorge Fernando (viola) e Filipe Larsen (viola baixo).
Argentina Santos já foi muito premiada nacional e internacionalmente. Em 2004 foi-lhe prestada uma grande festa de homenagem no Coliseu de Lisboa. É patrona da Academia do Fado em Racanati, na Itália, que ela própria inaugurou. E, em 2005, foi galardoada com o Prémio Amália Rodrigues de Consagração.
Afonso Lopes Vieira
Escritor português (Leiria 26.1.1878- Lisboa 25.1.1946).
Ainda criança veio morar para Lisboa. ( Largo da Rosa )
A partir de 1894 estudou na Universidade de Coimbra, onde concluiu o curso de Direito, em 1900.
Após Ter-se casado, em 1902, viajou pela Europa, donde regressou empenhado em “reaporteguesar Portugal, tornando-o Europeu”. Colaborou em A Águia e no movimento saudosista, participando (1911) com o actor Augusto Rosa na campanha vicentina para fazer reviver a obra de Gil Vicente.
É um dos animadores da revista Lusitânia 1924-1927. Publicou a novela Marques 1904, escreveu peças de teatro, conferências e estudos, adaptou e editou textos antigos, como O romance de Amadis 1922, A “Diana de Jorge Montemor 1924 e O Poema de Cid 1929. Poeta acima de tudo, estreou-se com Para quê? 1897.
A sua poesia alimenta-se da seiva revigoradora dos cancioneiros e do romanceiro português. Obras principais: Rosas Bravas, 1911, Canções do Vento e do Sol, 1911, Ilhas de Bruma, 1917, País Lilás, Desterro Azul, 1922 e Onde a Terra se Acaba e o mar Começa, de 1940.
A sua estátua embeleza o Largo da Rosa, e marca para sempre a presença deste insigne poeta.
Mário Cesariny
O pai de Mário Cesariny era Joalheiro de profissão. Tinha a sua oficina e loja na Rua da Palma numa parte posteriormente demolida no tempo de Salazar. Viviam no mesmo prédio no andar de cima, que tinha uma ligação interior.
Mário Cesariny habitou essa casa por muito tempo, tendo vindo a fundar um grupo chamado”Os Surrealistas” que se reunia muito na Mouraria, do qual fazem parte, entre outros, os seguintes poetas: Virgílio Martinho, Herberto Helder, António Quadros, M.S. Lourenço, Nicolau Saião, Mário Botas, Hermínio Monteiro e Miguel de Castro Henriques.
