Ana Morais Caldas - Joalharia Contemporânea de inspiração ibero-muçulmana
23 Setembro, 2009
A arte islâmica absorveu a arte das grandes civilizações sassânida, grega e bizantina, antes dela própria propor novos elementos e outras diferentes estilizações.
No meu trabalho de joalharia – “Manufacturas do al-Andalus” – estes elementos estéticos do Mediterrâneo antigo, elementos carregados de significado e simbologia, são utilizados na minha recriação, sem desvirtuar as raízes do nosso património cultural, acrescentando novas possibilidades de expressão artística.
As peças em prata de uso pessoal – brincos, colares, pendentes, alfinetes, anéis, braceletes e caixas/relicários – recebem a sua designação a partir da poesia luso-muçulmana, hispano-muçulmana e poesia sufi - emanando ideais de Paz e Harmonia, cada vez mais indispensáveis no mundo de hoje.
A utilização de pedras semi-preciosas e de outros materiais, o recurso a técnicas ancestrais e contemporâneas da joalharia, reforçam a genuinidade de cada peça que desenho e executo.
A minha Joalharia exprime a Universalidade materializada nas suas formas femininas e poéticas; este é o meu contributo para a União, a preservação e a sustentabilidade do legado que herdámos.
Outro elemento que utilizo é a arquitectura do morábito existente em Portugal, noutros países muçulmanos, e inclusivamente na Índia. O santuário cúbico com cúpula em meia esfera serviu os meus propósitos na elaboração de um “Tesouro Ibérico” em couro moldado, com aplicações de prata no fecho e dobradiça, pegas em ágata e prata, assim como no próprio morábito em miniatura, que encima esta caixa-relicário. Sobre a porta de entrada principal do morábito encontra-se gravado o primeiro verso, em árabe, de um poema do poeta sufi Ibn al Arabi (Múrcia, 1165-Damasco,1240) e, sobre a outra porta, está a sua tradução:”O meu coração abriu-se a todas as formas”.
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