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Jornalismo Comunitário: Que Voz Tem a Mouraria?

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Tertúlias da Mouraria | Quarta-feira, dia 19 de Fevereiro, 19h30
Jornalismo Comunitário: Que Voz Tem a Mouraria?

Na próxima tertúlia conversamos sobre jornalismo comunitário e fazemos um balanço dos quatro anos do “Rosa Maria”, o jornal da Mouraria. Sem esquecer os novos projectos pensados para este território, e outros já lançados por todo
o mundo.

Esse é o jornalismo comunitário, aquele que (…) dá visibilidade ao oprimido,
não como o marginal, mas como o pobre, real e capaz de superar sua condição.
Na verdade, jornalismo é jornalismo. O que muda é o local ou os meios onde
o praticamos. 
Elaine Tavares, Universidade do Vale do Itajaí
in portal do Instituto Gutenberg, Brasil

Todos conhecem o “Rosa Maria”, 58% lêem-no regularmente e 30% já participaram no jornal sendo entrevistados, fotografados ou produzindo conteúdos. São os resultados de um inquérito realizado na Mouraria, junto de cinquenta pessoas, divulgado em Junho de 2013 pela consultora Augusto Mateus & Associados no âmbito da avaliação “Contributo das intervenções do Qren para a inclusão social de indivíduos residentes em territórios urbanos problemáticos”. Na próxima quarta-feira escutamos ao vivo os protagonistas destas, e outras, estatísticas.

Além do jornal “Rosa Maria”, lançado em Junho de 2010 pela Associação Renovar a Mouraria (com o apoio de fundos comunitários através do Qren – Quadro de Referência Estratégico Nacional), outros projectos de informação estão também pensados para este território. O mais conhecido é a Rádio Vozes do Intendente, candidato ao Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Lisboa em 2013. Não recebeu votos suficientes para ser financiado por essa via, mas os seus proponentes continuam a apostar no lançamento.

Que voz tem a Mouraria? Até onde ela pode chegar? Moradores, jornalistas, fotógrafos e investigadores debatem estas questões na próxima tertúlia da Mouradia – Casa Comunitária da Mouraria, da Associação Renovar a Mouraria.

São as Tertúlias da Mouraria! As tais onde vale tudo menos partir a loiça (os copos foram oferta de um vizinho cá do bairro e são interessantes relíquias a preservar, como se pode no cartaz acima). São tertúlias em que se discute o país e o mundo, entre petiscos e cantorias, na terceira quarta-feira de cada mês.

Tertuliantes de 19 de Fevereiro:
Rostos que foram capa do “Rosa Maria”, entrevistados, entrevistadores, fotógrafos, fotografados, fontes, leitores, distribuidores, voluntários, profissionais, curiosos… Todos têm voz nesta tertúlia. Na mesa de oradores sentam-se:

Ana Luísa Rodrigues: Jornalista e membro fundador do Rosa Maria, jornal da Mouraria.

Cláudia Henriques: Promotora do projecto de rádio Vozes do Intendente e investigadora no CIMJ – Centro de Investigação Media e Jornalismo da Universidade Nova de Lisboa.

Vitorino Coragem: Repórter, colaborador do extinto jornal lisboeta A Capital, DN, Folha de São Paulo e La Opinión de Granada.

Alexandre Ovídio: Actor e apresentador (moderação)

Marcos Cerejo: Acompanhamento ao piano

 

E COMO FOI? FOI ASSIM: 

«O Largo e a Marta já saíram em 30 mil sítios na comunicação social, mas as pessoas ali do Intendente ficaram a conhecer mais o meu percurso pelo Rosa Maria. O jornal consegue realmente chegar a muita gente que não utiliza nenhum dos outros meios». Testemunho da Marta Silva, fundadora do Largo Residências e protagonista na secção “Passeando Com” na edição n.º5 do Rosa Maria, na tertúlia da passada quarta-feira na Mouradia.

A tertúlia teve como mote o jornal cá do bairro de seu nome Rosa Maria e a pergunta de partida foi: “Que Voz tem a Mouraria?” A cafetaria encheu, mas moradores mais antigos no bairro foram poucos, o que deu aso a muita conversa, até porque o tema era o jornalismo comunitário que se caracteriza por ser ultra-local envolvendo ao máximo a comunidade.

Estava frio, era hora de jantar e havia bola, mas… «É difícil. Somos tímidos», disse Octávia, residente no bairro e um dos rostos da família Amoedo retratados na edição n.º1 do Rosa Maria em 2010. «Mesmo no emprego, as pessoas falam entre elas mas na hora de expor as questões é muito difícil». A antropóloga Marluci Menezes alertou para o conceito de participação. «As pessoas em geral participam. Temos de compreender a forma como participam. Não vir [à tertúlia] também é uma forma de participação».

Foram precisamente as ausências que originaram um projecto que poderá ganhar voz nesta zona, a Rádio Vozes do Intendente. «Estava a passear pela Mouraria e pelo Intendente e era o dia de uma assembleia participativa no Intendente que estava praticamente deserta», conta Cláudia Henriques, investigadora de jornalismo. Discutia-se o Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Lisboa e a Cláudia resolveu candidatar-se ao dito com um projecto de rádio para aquela zona. Não ganhou verba, mas não ficou esquecido. Na tertúlia estiveram outras pessoas com semelhantes ideias que passaram a conhecer-se e, quiçá, trabalharão juntas – graças às ausências.

Aventaram-se ainda possíveis soluções para contornar os elevados custos das frequências radiofónicas. «Pode fazer-se uma experiência piloto com uma Vodafone ou coisa assim. A Junta poderia trabalhar para que as casas estivessem suficientemente informatizadas para que as pessoas pudessem ouvir rádio via wi-fi»,sugeriu o jornalista Frederico Duarte Carvalho na audiência. Entre os oradores, o jornalista e fotógrafo Vitorino Coragem, recente colaborador no jornal, sugeriu que o Rosa Maria ganhe também versões online que injectem maior dinâmica à actual versão semestral em papel.

Não cabe neste post toda a riqueza da tertúlia, mas para que conste: no fim ainda se cantou “Há Festa na Mouraria”, esse fado que refere a célebre Rosa Maria. E com acompanhamento de piano.

PS: Octávia Amoedo, o Rosa Maria não esquecerá estas suas palavras: «É impossível agradar a todos. Só há uma coisa que vos peço: vivam a realidade.»